"... faltam-me as vísceras de fora quando as palavras se deixam antever. " in Memórias Internadas
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28.1.13

1.4.12





todos os nomes devem ser escritos
sem dedução de significado
[ aqui, do outro lado, entre lados ]

a ar ou sangue sem a secura do acaso

[ respiro água composta de tudo e morro todos os dias ]

e um seixo é grande

quando a lágrima o visitar
[ nunca pedra maquinada ]
sem tempo aprazado 


ra in " Memórias Internadas "

14.3.12

.


à volta do pote
moscas mais e mais moscas menos
passeiam antes de voar
o pote é feito de nada
as moscas pensam em tudo


.

5.3.12

.


longe,
as cinzas não se movem
[ só a memória é matéria de reconhecimento ]


caminho meio andado
uma leve brisa sem origem específica
[ ignoro a vida da natureza ]
mexe na superfície mais vulnerável


antes dos pés pisarem
já o corpo sopra
as partículas mais finas da vulnerabilidade
cinzas, corpo dos pés
a mesma forma de outra ignorância minha


.

14.2.12

7

sem promessas ou castelos
sabemos que sempre
é hoje
e a casa de pele
porosa às palavras
com língua dentro
















imagens | Kitsune  JOÃO PENALVA
 arranjo | CRISTINA BARTLEBY




15.11.11

personagens em fuga


espero


[ livre
de Quibir ]
e junto à poltrona
amanso dragões com nuvéns
nevoeiro com flores
pétalas com passáros
rebentando olhos na boca
todos aos pares

espero


[ embutido
na brecha ]
e escrevo com flores caídas
nas núvens do mar
enquanto pássaros implodem
[ pedaços inocentes ]
arrancados a dente da garganta de Munch


espero


[ pelos gritos das personagens em fuga ]

mundos e portas



Malditos poetas, mau caminho na terra e no mundo que gosta de alcatrão, novo, laboratorial, sem base fóssil. O mundo tem mundos e portas dentro da porta do mundo, e as raparigas perguntam as respostas sem espelhos ou espelhos das portas no mundo da porta que a rapariga abre, antes da porta, no mundo do espelho apagado na porta de outro espelho... que poeta pode ser o que uma rapariga precisa do mundo? A porta - nada mais - sem espelho, luz ou sombra caída, quando a rapariga não vê a poesia e pergunta ao poema onde está o poeta;

em que bolso escondes a chave?

malditos poemas com poetas dentro, horas deixadas no espelho embaciado, sem estrela ou significante aparentemente plausível, ruminados e mesmo assim mundo para porta com portas e mundos dentro.

4.11.11

os deuses enlouqueceram por um deus

















os deuses enlouqueceram por um deus
loucos perigosamente deuses

os loucos devem ser loucos

sem deuses nem deus

deus normalmente louco

enfartou-se  em nome dos deuses



29.10.11

outro eu

paredes construídas
alvenaria ou outras
invisivelmente circulares - dentro
ou fora impenetráveis
e o ar pulmonar da respiração
fixa os poros indisponíveis


outros


indizível
circulação ou existência 




21.9.11

levadas

pés -  leves,
finos - desamarrados
de cordas etéreas
fluído caído
como cabelos espantados
pela gravidade do ar


varanda, a varanda aberta,
que o mar puxa para os olhos
deixados na cama


desprotegidos do corpo

25.6.11

especular

.


medindo
olhos apoiados em neurónios
o espaço da memória
|varal sitiado, encoberto |
encontro peças inteiras
alumiadas
clareiras abertas
por vontades alheias


pode o tempo
significar agora e depois
se antes escorreu
gretando superfícies duras
entranhando-se em lençóis freáticos
lavados no mar


pode, 
se registado
em espaços memoriados
de vontades próprias
alheadas da origem


.

23.6.11

ca|c|os . [re]construção

.


moer os cacos
em caos mais profundo
verter lentamente plasticidade ligante
em movimento elíptico
tangendo linhas tracejadas
em urdidura anterior


.

17.6.11

ca|c|os

.


parte-se sempre
de algum sítio alguma coisa
nunca se volta
só às memórias


e as pessoas também passam
atarefadas
na construção
da memória que querem


umbigos
apertados
reduzidos a um movimento
sem desperdícios


.

4.4.11

palavra-beijo

.

uma  imagem
[ aberta sorri
fuma numa mão
fumo a mão no desejo ]

um nome
[ e anagrama ]

um beijo
[ e é beijo ]
todo o dia nos lábios
[ atlântico o beijo ]
com jardim
e janela ao mar

não sonhei
acordei
abri os olhos
a fotografia um nome e uma palavra-beijo

.

1.4.11

fusão


.


preciso de encontrar o mar
na longa linha de fusão
e nos meus pés
quando se dá à areia que o agarra
precisava que a mão adornada em anel teu
me levasse ao mar que te pertence

preciso do mar e de colares de conchas partilhadas
e cicios a entrelaçar as voltas pousadas no peito


.

26.3.11

árvore frondosa

.


saí à rua
as folhas regressavam
aos ramos, os ramos
à seiva exposta do tronco
não se colavam
reencontravam-se
na árvore que todos viam


deu-me folhas verdes
que fomos guardando
em bolsos escondidos
entre páginas brancas


.

20.3.11

há vidas que assustam

.


há vidas que assustam
sonhar, mas questionar no sonho
duvidar, ter medo e caminhar
em tempo quase sem existência
ter terra nos pés e nas mãos
cores que cheiram, tocam, sentem
palavras que podem azedar
no fogo que a vida põem no sangue
doar sem rezar
respirar de peito aberto às aves
que  alimentam em águas agitadas
e aconchegam de asas abertas
quando descobrem conchas
e algas prateadas nas nascentes de luz

não ser nada que não se seja
ser quando se encontra
quando precisam de encontrar para ser, estar
e vestir-me quando imaginam procurar


.

1.3.11

[ a __ r ]

.

em sítio algum
papel porta parede
encontrei a palavra
[               ]
correctamente
nomeada


a palavra
devia nascer
sílaba a sílaba
retirada do silêncio
consonântica impoluta
de significações indevidas
ressumbrar nas nossas línguas
[ tapadas ]
  secretas
.