"... faltam-me as vísceras de fora quando as palavras se deixam antever. " in Memórias Internadas

20.4.09

Dores


Palavras simples
são dores que senti
no outro lado da pele

Não as li na tua boca
Precisava de acordar
com uma duas nos meus lábios

Morreram-me
Não as senti onde tinha sede

Sopro


Labiaste-me o mar
iodado do norte

Suplicaste-me palavras de amor
no meio da ponte e estava escuro

Tenho a maresia na boca
fresca sem ponto cardeal

pronta a estalar

19.4.09

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A frase, " O tempo não espera pela vida " é a culpada! Apareceu-me, já não me lembro porquê, sinuosa cintilante, persistente ao ponto de servir para me acordar quase todos os dias. Precisava de a escrever noutro sítio, sem serem os habituais blocos de notas de capas pretas e sem linhas... que cheios com o tempo da minha vida, são atirados para o monte que vai crescendo, até que um dia... já não me lembre do "click neural" que a originou, tipo " Que coisa, a vida é tempo " !
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cinzas nocturnas
escondo-me oblíquo
tempo espero pela vida


RauAu