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há vidas que assustam
sonhar, mas questionar no sonho
duvidar, ter medo e caminhar
em tempo quase sem existência
ter terra nos pés e nas mãos
cores que cheiram, tocam, sentem
palavras que podem azedar
no fogo que a vida põem no sangue
doar sem rezar
respirar de peito aberto às aves
que alimentam em águas agitadas
e aconchegam de asas abertas
quando descobrem conchas
e algas prateadas nas nascentes de luz
não ser nada que não se seja
ser quando se encontra
quando precisam de encontrar para ser, estar
e vestir-me quando imaginam procurar
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